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Ninguém conhece ninguém.

Ninguém sabe o que se passa na alma enigmática de uma mulher, no recalcado e travado coração de um homem.

Tampouco na alma de uma cidade.

Todos sussurram, falam em voz alta, gritam que o Rio vive uma tragédia, passa por uma tormenta.

Desconhecimento dos surpreendentes sentimentos represados.

Nunca o Rio esteve tão eufórico, tão comunicativo, tão solidário.

A cada bandido, ou bandida, deixando seus domicílios dourados na orla milionária da Zona Sul, com as mãos recolhidas às costas, momento único, momento mágico, explodem os foguetes.

Seguem-se os apupos, se multiplicam, os populares cercam e aplaudem as viaturas da PF.

É uma festa.

Até os bêbados, os excluídos, os traficantes, os que perderam a razão, e que não são poucos, os fanáticos, os religiosos, estão mergulhados em euforia.

Uma alegria que nenhuma outra cidade viveu até hoje.

Quem tem notícia de três ex-governadores presos, quase juntos, nem tanto separados?

Quem tem notícia de presidentes de Assembleia Legislativa, deputados, empresários, titulares de tribunais de contas, primeiras – damas, secretários de estado, presidente de federações esportivas, levados festivamente, sob a luz do Sol, para os presídios do subúrbio carioca?

O Rio é uma festa.

Quem não assiste a este momento histórico, coitado, terá que no futuro tripudiar, mentir, e dizer para os netos e seus amiguinhos, na maior cara de pau:

– Meninos, eu vi!…

O Rio de fato, pelo primeira vez, virou uma festa.
(29/11/2017)

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e atividades ao ar livre

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