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Garotinho acordou hoje um pouco enjoado, num dos prédios de Complexo de Bangu, 8, subúrbio do Rio.

Um gosto amargo, no todo da boca, um princípio de depressão, não sabendo ao certo o que fazer.

Não lhe restou, senão, resgatar Machado, que há tempos não relia. Se é que leu alguma vez, pensou, quase sorrindo.E, no entanto, nos sermões da Igreja, quando podia, o citava, juntamente com a Bíblia.

Lembrou do ensinamento das botas, e a repetiu entre os dentes.

“as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar”.

Foi despertado pelo barulho dos carcereiros anunciando o desjejum, o café matinal.

Olhou detidamente, viu o imenso corredor, ainda vazio, pensou em Rosinha, pensou em Clarisse, já sofrendo tanto, pensou nas voltas que o mundo dá, sentiu-se profundamente só.

Pensou; para que serve a religião numa hora dessas?
(25/11/2017)

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