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Bediai capa 01

(…) “Canta para nós, ó deusas da selva, a saga silenciosa de Bediai, o mais sutil e arguto dos homens nesse universo de água, mata e adversidades! Canta o seu silêncio, a sua tolerância, o seu desencanto com o mundo dos brancos, o seu querer nada querendo!

Perdeu seu povo, terras, sítios sagrados, cerimônias religiosas, rios, onde certamente mergulhava como um deus, e hoje perambula solitário entre nós, conduzindo nos olhos e na alma toda a piedade da terra! Sua convivência com todos nós, agentes da civilização, só lhe agrava e acentua sua solidão.

Apoiado sobre uma árvore, com as mãos calosas enterradas em seus artesanatos, refletindo sobre os dias que se foram, e sem saber como serão os que estão por vir, Bediai, o mais sutil e ousado dos homens, o mais humilde e mais astuto, detém-se sobre o verde da floresta, ouve o canto da bigorna, e observa, entristecido, que os músculos de suas pernas e braços, assim como o tronco, já não têm mais a flexibilidade e a consistência dos tempos idos e vividos.”

Ps – trecho de “A Viagem de Bediai – O Selvagem”.

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