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Gilmar mendes e Temer
A ambição é uma das filhas estimadas do poder.

Estava Temer posto em sossego, comandando um partido que dividia com o PT a regência do país, e eis que resolve ouvir o discurso sedutor de Romero Jucá.

Dilma, alucinada, não conseguia estancar a sangria, e logo uma mosca azul, reluzente, linda, irresistível, começou a voar sob os olhos de Michel Temer.

“E zumbia, e voava, e voava, e zumbia, refulgindo ao clarão do Sol e da Lua, – melhor do que refulgiria um brilhante do Grão-Mogol.”

Seria mais uma prova a Marcela de que valera a pena ceder, pois conquistara não um homem qualquer, senão um grande chefe, um presidente da República.

As mulheres, sabemos, se encantam pelos ouvidos, e Marcela não se cansava de ouvir que Michel “era o cara, o grande líder”.

Que mulher não tem sua libido anabolizada diante de um parceiro tão especial, tão vitorioso, tão brilhante?

O que não é capaz um homem para encantar o objeto de sua paixão?

Hoje, Temer sabe que foi enganado, tragicamente seduzido pela mosca azul.

Já no poder, “dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela, rota, baça, nojenta, vil, sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela visão fantástica e sutil.”

Hoje, quando Michel Temer, trôpego e desiludido, passeia pelos jardins do Palácio sua dor e desencanto, “ dizem que ensandeceu, e que não sabe como perdeu a sua mosca azul.”

ps- Machado me autorizou, relutante, pedindo cautela, a recorrer aos seus versos.

 

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