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(…) A tomada do Palácio de Inverno, que definiu a vitória da Revolução, por exemplo.
 
Na tela, a massa sobe em atropelo as escadarias, invade os grandes salões, troca milhares de tiros com a guarda de Kerenski e dá voz de prisão ao governo.
 
Na vida real, não havia uma massa, a guarda não era de nada e um único revolucionário, aliás, jornalista, prendeu os gatos pingados.
 
Enquanto isso, o repórter americano John Reed, futuro autor do livro “Dez Dias que Abalaram o Mundo”, em que o filme se baseou, tomava sua sopa num café ali perto, sem saber do que se passava.
 
Não sei por quê, sempre associei essa sequência à de um filme feito pouco antes, em que a vitória da revolução também consistia em a multidão tomar o reduto do inimigo (no caso, a hacienda do governador) a golpes de facas e foices: “A Marca do Zorro” (1920), de Fred Niblo, com Douglas Fairbanks —que Eisenstein, fã do cinema americano, certamente conhecia.
A história do cinema sempre atribuiu “Outubro” somente a Eisenstein.
 
Mas está na hora de fazer justiça ao ditador Joseph Stálin como coautor. Foi Stálin quem encomendou o filme a Eisenstein, então com 28 anos, e pôs o povo e a cidade de Petrogrado à sua disposição (a filmagem quase enlouqueceu os habitantes). Em troca, Stálin interferiu no corte final e mandou Eisenstein reduzir Lênin ao mínimo e eliminar Trotski de vez.
Como seria “Outubro” como Eisenstein o concebeu?
Ruy Castro – Folha de SP – 10/11/2017
 
 

 

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