Home

Crianças 123

Choremos por nós, pela redução de nossas conquistas, pelo “golpe” contra a presidente Dilma, pelas dificuldades na aprovação de um teto para a gastança do Governo.

Choremos pelas férias que não teremos em NY, nem em Paris, sendo nós todos, ou quase todos, obrigados a gozá-las nas praias e resorts do litoral brasileiro ou de nossas sofisticadas regiões serranas.

Choremos pelo carro do ano que não podemos renovar, pelas grifes que tivemos que abdicar.

Pelo derretimento da avaliação de Temer e seu grupo, pela perseguição cruel ao ex-presidente Lula, onde tudo se faz para que não possa mais devolver aos excluídos os tempos de bonança e consumo que viveram recentemente.

Não, não choremos pelas crianças de Aleppo, estraçalhadas, assassinadas, a frio, feridas, enlouquecidas pelo barulho das bombas, matando seus pais, seus amiguinhos, todo o seu mundo, quando não elas próprias.

Choremos, aliás, pelo silencio do Governo brasileiro, que em cinco anos de carnificina, cortando o coração do mundo, num genocídio cruel que nada perdoa, com as imagens mais cruéis de crianças fugindo, em tempo real, seus pais matando suas irmãs moças, evitando assim o estupro pelas tropas invasoras, permanece no mais profundo silêncio.

Brasil, o povo mais feliz do mundo: solidário, país do Carnaval que encanta, país penta campeão do mundo.

Crianças feridas, sangrando, afogadas nas águas do Mediterrâneo, conduzindo nos olhos toda a dor do mundo, buscando o infinito, parecendo nada entender, já que adultos também não estamos entendendo, também, mais nada.

Choremos pelas forças russas, iranianas, americanas, sujeitos perversos dessa carnificina, que em busca de poder, em nome da geopolítica, barbarizam um povo, uma região, a quem a civilização tanto deve.

Rezemos pelos líderes, pelos senhores da Guerra, os estadistas, os protagonistas do massacre, do holocausto do século 21.

Choremos por nós, a mais sofisticada espécie do planeta, dotada de reflexão, dúvida, conhecimento, praticante das mais pias religiões, que celebra a caridade, o amor pelo próximo, e nem por isso deixa de ser a mais estúpida, a mais cruel, a mais perversa que até hoje o mundo conheceu.

Não choremos pelas crianças de Aleppo, por todas as razões do mundo.

Estão distantes, praticamente não as conhecemos, falam outra língua, praticam outras religiões, e se mais não fosse, são árabes, persas, curdas, estranhas, portanto, não são as nossas crianças.

Espécie humana, a mais deplorável de todas as outras existentes na Terra. (20/12/2016)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s