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Che e Sartre

Temos, neste ano – 2017 – cem anos da revolução Russa, certamente uma das experiências mais perseguidas ao longo de nossa aventura na Terra.

Por óbvio, acenou com um mundo sem luta de classes, sem exploração do outro, sem exclusão, sem as profundas injustiças sociais.

Fez água, antes de completar uma centúria.

Restou Cuba, mas está isolada, inviabilizada, e para quem a conhece no mudo real, também não deu certo.

São muitos os capítulos dessa experiência, mas o assassinato de Leon Trotsky em agosto de 1940, já no 2º ano da 2ª Grande Guerra, no México, como parte dos crimes de Stalin, foi um dos episódios mais impactantes do século 20.

Lenin e Trotsky foram amigos, e certamente os dois, exatamente nessa ordem, alavancaram a vitória e a tomada do Poder na Rússia dos Tzares.

O livro do cubano Padura, “O homem que amava os cachorros”, exageradamente exaustivo, quase 600 páginas, para quem consegue fugir das obras de autoajuda ou esotéricas, é uma pertinente viagem sobre esse assassinato.

A revolução Russa, como de resto todas as outras, devorou seus líderes, e praticamente não perdoou nenhum.

As quarteladas, os golpes de estado, os movimentos populares, e não menos as revoluções socialistas, não escapam a esse processo autofágico.

Vide as revoluções francesa, mexicana, boliviana, chinesa, e mais recentemente a cubana.

Para não falar das quarteladas brasileiras, chilena, argentina e assim por diante.

Numa das reuniões do Partido, já após a morte de Lenin, Trotsky diz, literalmente, que Stalin seria o coveiro da Revolução russa.

Foi advertido, por um de seus pares, que ele jamais seria perdoado.

Nem ele, nem nenhum militante que questione os novos líderes, que vão eliminando antigos companheiros, na fogueira das vaidades que alimenta o Poder.

A impressão que fica é uma só; os homens, assim como muitas outras espécies, não conseguem viver por muito tempo em paz.

Sem as guerras, sem a competição, sem as ambições, talvez até hoje estivéssemos pastando.

Quem nos alerta sobre essa dura verdade é Immanuel Kant, em sua “Crítica da Razão Pura”.

Kant foi o “cara” que eliminou Deus.

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