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O gesto do negro Didi, altivo, caminhando, calmamente, na direção de Belline, que lhe entrega a bola recolhida das redes de Gilmar, é um dos momentos emblemáticos – por sua simbologia e dramaticidade -, na história do povo brasileiro.

Era o início da final – Brasil X Suécia – Copa de 1958. O país ouvia, pelo rádio, e sabia que, com aquele gol, mais uma vez, iríamos mergulhar – contra a vontade dos deuses nada se pode fazer – na dolorosa história de repetidas derrotas, enfim, de um povo vira-latas.

Essa herança trágica vinha sendo edificada desde 1938, passando por 1950 e 1954. A derrota de 50, no Maracanã, prostrara o país, amesquinhara a nossa identidade. Agravando mais, no ano seguinte a 1938, estourava a Grande Guerra, e em 1954 víamos o Presidente disparando um tiro no peito.

O gesto de Didi, Príncipe Etíope, como designara Nelson, caminhando solenemente, cabeça erguida, resquício que sobrara de um país que desejava, mas ainda não acontecera, com a bola sob o braço, foram segundos de profunda desolação, assistido por um estádio lotado.

Chega ao meio do campo, eram os primeiros 4 minutos da final, entrega serenamente a bola a Vavá, e ordena; “vamos dar uma lição nesses gringos”. Vencemos por 5×2, e iniciamos a caminhada na construção de uma identidade nacional, dando Adeus ao complexo de vira-latas que nos humilhava e diminuía.

Nilton Santos tinha 32 anos, já Didi, Djalma Santos, e Gilmar, 29 anos. Novo, apenas Pelé, 17, mas esse se revelaria um fora de série. Chorar não diminui ninguém, até os brutos choram.

Chorar na hora errada, quem sabe, antes e durante o hino, durante o jogo, depois do jogo, antes e depois dos pênaltis, talvez sinalize algum déficit de equilíbrio emocional.

Hoje, diante da Colômbia, bem que a Seleção poderia homenagear àquele momento emblemático, resgatando o gesto e a postura de Didi e seus companheiros, heróis trágicos de um marco histórico.

Ps: o tom exagerado deste post, foge ao olhar desta página no que toca à importância do futebol. E, no entanto, é uma pretensa homenagem à alma arrebatada, e não menos imortal, de Nelson Rodrigues!

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