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Machado de Assis a

O que vai ser dito, pessoalmente não concordo, mas o meu amigo da Sorveteria JJSeabra, um poço de amargura, tem repetido que à passagem do velho para o Novo Ano uma baía de hipocrisias e dissimulações toma conta da cidade.

Quincas Borba, esse o seu nome, seu pai foi leitor apaixonado de Machado, confessa que “feliz ano novo, tudo de bom para o próximo, Cristo vai iluminar sua vida”, não passam de clichês, enunciados mecanicamente, sem os sentimentos que se esperam.

Até porque, repete Quincas, toda toalha de seda tem sua franja de algodão. Borba acentua que Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. Já o Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.

Quincas é um rio Amazonas de citações machadianas. E antes de terminar o sorvete de graviola, ele lembra que há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, outras há que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!…

Pessoalmente, devo confessar, evito me encontrar com o Quincas nessas datas cristãs e festivas. Para mim ele é amargo demais. E, no entanto, termino tomando sorvete de cupuaçu no JJSeabra junto com  ele. Mesmo nessas datas!…

21/06/2014

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