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Nelson Xavier deu adeus, inclusive à sua vida profissional, como poucos têm a felicidade de fazê-lo.

Por ter se dedicado, esquento vivo esteve, à arte de interpretar, fosse teatro ou cinema, sua despedida foi triunfal, e não merecia, e aí já no filme, ingressar no outono de forma desprezível, sem mais merecer respeito, com suas chacinas apagadas pelo tempo.

“Comeback”, de forma surpreendente, nos tempos atuais, é um filme brasileiro.

Nem parece, com tanto besteirol, os filmes que as telonas vêm exibindo.

Western bem realizado, longe de obra-prima, claro, mas termina por nos devolver a crença que o nosso cinema possa vir a ser tão bom quanto o argentino, iraniano, e até o uruguai, aqui ao nosso lado.

Nelson Xavier mereceu esse papel, melhor, esse filme, no crepúsculo de sua existência.

Matador de aluguel, com validade praticamente vencida, Amador exibe, de forma grandiosa, a tragédia do anonimato.

Tivera uma vida rica de crimes, grandiosas matanças, presença constante nas editorias de polícia, reverenciado como um matador fora de série, conforme ele mesmo pontificava – “no meu tempo não tinha pra ninguém” – ingressa no outono de sua vida reduzido a gerenciar máquinas de jogo, em botecos desprezíveis.

Nem mesmo o album, onde estavam registradas suas matanças, merecia mais fé.

Alijado, esquecido, ele vai progressivamente evoluindo para o “comeback”, o seu retorno triunfal, voltando suas ações a ocupar a midía de uma cidade até então mergulhada em paz.

Nelson Xavier merecia esse filme, antes de nos dá Adeus.

 

 

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