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Roosevelt - 2rondon_indios

Índios de tênis de grife, defendendo a demarcação de suas terras e protestando contra a Copa? Já não são índios, claro!

Como se nós, que nos intitulamos civilizados, de fato  os invasores, continuássemos fiéis às nossas origens.

A intolerância contra as marcas tem sido – mais um – argumento para não mais reconhecê-los como índios.

Tudo isso remete a Rondon,(1865/1958), amigo desses povos, ele próprio descendente dos Bororo.

Único marechal do Exército, em tempos de paz, percorreu a pé 40 mil km de sertões não devassados, instalando 6 mil km de linhas telegráficas.

Sem elas, não seríamos o que hoje somos.

O Exército tem nele um de seus ícones, talvez o que mais o eleva. “Morrer se necessário for; matar nunca”.

O lema, que ele retira do positivismo, mas que aplica sem restrições aos nossos selvagens, sinaliza uma diferença profunda com o Exército americano, algoz dos povos indígenas daquele país.

Rondon ajudou a integrar o Brasil, enobreceu uma de nossas Armas, criou o SPI.

Comandou o presidente americano, Teodore Roosevelt, numa expedição pelos sertões do Brasil (1913).

Roosevelt expandiu o Império americano, com a teoria do “big stick”, o grande cacete, com a truculência de um país que emergia intervindo, anexando, dividindo nações.

Em suas memórias reconheceu a grandeza de Rondon.

Curiosa convivência.

Pois bem, trabalhando há 40 anos com essas culturas, ouvi ontem, de um amigo que o conheceu, a despedida final de Rondon. Morreu num apartamento de quarto e sala, em Copa, cego e velhinho, 93 anos.

No dia anterior fora visitado por um xamã – os índios o adoravam – que ao vê-lo, ajoelhou-se, chorando; tendo sua cabeça segura pelas mãos de Rondon, cantou, demoradamente, entoou seus hinos, deve ter orado.

Rondon a tudo ouviu, nada falou.

No dia seguinte se despedia, dava Adeus à civilização, à nossa intolerância, mas certamente sacralizado para um desconhecido mundo, se é que existe, pela última celebração de seus irmãos índios, aos quais dedicou sua vida e engrandeceu a história de um país, que primeiro introduziu o escambo, depois os escravizou, nunca os amou, sequer soube respeitá-los!…

obs – A foto da direita mostra Rondon e Roosevelt, e todo o estado-maior da Expedição, no que hoje é Rondônia.

Corria o ano de 1913, um ano antes da 1a Grande Guerra!

texto – 3/06/2014

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