Home

Salgado - fotos 1

Rio Doce morrendo 1

Ninguém, de bom senso, aplaude patrulha da vida dos outros. Mais ainda quando se trata de um profissional vitorioso como Sebastião Salgado.

Portanto, não são seus méritos profissionais, sequer sua vida pessoal, que agora se discutem.

Ambientalistas europeus produzem campanha, ferrenha, contra o Museu Britânico de História Natural.

Razão: a milionária soma que financiou a Mostra, belíssima mostra – Gênesis -, ali exibida, do nosso Sebastião Salgado. Patrocinada pela Vale do Rio Doce.

Vejam; nada tem a ver com a tragédia atual do Rio Doce.

O questionamento resulta do envolvimento da empresa nas obras de Belo Monte, na construção da polêmica barragem no rio Xingu. Outro belo rio.

Ainda.

A usina vai inundar cerca de 500 km2 de floresta amazônica e desalojar povos indígenas, ali vivendo há milênios.

Eles aparecem nessa Mostra, por sinal deslumbrante, vamos repetir, onde estão glamourizados, otimizados, conforme já foi dito neste blog.

A ambientalista inglesa Christian Poirier, da ONG Amazon Watch, disse ao jornal britânico “The Independent”, que essa exposição, no famoso Museu britânico, era nada mais, nada menos, que “lavagem verde”.

Repito; a denúncia dos ambientalistas europeus nada tem a ver com a tragédia atual do Rio Doce. É coisa mais antiga.

Vir agora Salgado, ao lado da presidente Dilma, 8 dias depois da tragédia, anunciar e propor sonhos diante de um rio que morreu, sinceramente, não fará bem à sua biografia.

Dilma, todos sabem, nem tudo o que promete, cumpre, mas Salgado não é Dilma, pelo menos é o que imaginamos.

Parece cabotino dizer, e não deixa de ser. Mas conheço, razoavelmente, as nações indígenas brasileiras, por suposto.

Ao longo de minha vida tenho comido quilos de sal, com elas, há mais de 40 anos.

Os belos índios da mostra do Gênesis, repitamos, impactantes, verdadeiros deuses da selva, seres de bronze das florestas tropicais, de Sebastião Salgado, não são os índios do nosso mundo real.

O que não deixa de ser uma pena, indo beber em Shelley, o grande poeta inglês.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s