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Bediai capa 01

Hoje é dia do Indio. Homenagem besta.

Até porque homenagem seria respeitar seus territórios, seus valores, sua cultura. O que nunca aconteceu.

Aproveito o gancho da data e publico um pequeno trecho de “Bediai – O Selvavem – E o Voo das Boboletas Negras” livro que imagino contar a narrativas desses povos no Brasil.

“Não houvesse um patrulhamento severo, parcela ponderável da tripulação de todas as naus e caravelas fugiria para se fixar deliciosamente nas terras do Novo Mundo. Surucar era o desafio, posto que foder, do latim futere, no mundo cristão, era tarefa temerária e condenada.

Não que viver aqui fosse fácil.

Longe disso. Era uma renúncia absoluta ao país de origem, à língua materna, à família, aos costumes, à alimentação. Guerras internas, guerra entre e contra colonizadores, um escarcéu que nunca cessava.

Era um retorno à Idade da Pedra, ao homem primitivo, ao começo dos começos.

O sujeito para ser absorvido por uma tribo precisava praticar e incorporar seus valores. Não bastava viver nu, o que não era pouco em se tratando de europeus, e sair comendo as adolescentes índias, no melhor dos mundos.

Não bastava aprender o uso do arco e flecha, comer gafanhotos e bunda de tanajuras, dormir no chão ou em redes.

Era preciso ir mais longe.

Comer, por exemplo, o inimigo abatido, como forma de evitar que do outro mundo voltasse a infernizar a aldeia. Mas valia a pena.

Em nome da surucação sempre valeu a pena quase tudo em nossas vidas.  Mesmo passando por umas experienciasinhas antropofágicas de vez em quando.”

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