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Oswvaldo Cruz

Sempre que posso, me nego a ficar esnobando ter nascido no Acre, embora com profundas raízes no RGS.

Sim, o “cara” que liderou a anexação, nos primeiros anos do século passado ao Brasil, Plácido de Castro, era um gaúcho.

Ao anunciar a condição de acreano sempre passo certa arrogância, indiscutível soberba, quase humilhando a frágil gente do Sul, postura condenável, concordo, mas lá ter nascido é um privilégio, uma graça dos deuses.

Em suma; ninguém nasce no Acre à-toamente.

E, no entanto, saber agora, que a Revolta da Vacina, que durou de 10 a 18 de novembro de 1904, Machado ainda vivia, no Centro do Rio, matando 30 pessoas, deixando 110 feridas, 945 presas e mandando para o exílio, expurgando, outras 400, uma verdadeira guerra civil, é algo que surpreende, assusta, e até desconcerta.

A Revolta da Vacina, todos sabem, foi a reação ao sanitarista Oswaldo Cruz, diretor do Serviço de Saúde da então capital da República, que buscou e terminou conseguindo erradicar a febre amarela.

Mas isso aqui nesta postagem não é pertinente.

Interessa e surpreende é saber que 400 dos revoltosos foram expurgados, e desterrados para fora do Rio.

E que parte deles foi enviada ao Acre, como punição pela participação na revolta. Fica a pergunta; o que foram feito deles? Certamente por lá casaram, implantaram famílias, fizeram histórias, e legaram descentes.

Mas deles, pelo que se saiba, na terra de Chico Mendes, nunca mais se ouviu falar. Talvez por constrangimentos. Os desterrados não padecem de orgulho.

Que a Ilha Grande, Fernando de Noronha, e até mesmo o longínquo arquipélago de Trindade tenham servido de desterro para presos políticos, todos sabem.

Já o Acre, entrar nesse pacote, é novidade.

E, vamos concordar; exílio burro, pois se estabelecer à passagem do século 19 para o 20, naquelas bandas, ainda no esplendor do ciclo da Borracha, era na verdade um doce presente.

A esse tempo Adão e Eva haviam acabado de viver uma temporada idílica naquelas vastas e impenetráveis regiões, um doce paraíso, apesar da malária que não livrava, nem livra até hoje, a cara de ninguém e, não menos naturalmente, da vida selvagem.

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