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TIGRE ´EXILADO

 

 

 

Em de julho de 2009, o país tomou conhecimento de uma notícia curiosa. Pisava em solo brasileiro o último exilado político da ditadura brasileira; o ex-marinheiro Antônio Geraldo da Costa.

A notícia ganhou as mídias nacional e internacional.

Membro da ALN, criada por Marighela, Antônio, hoje com 80 anos, fazia parte da tropa de choque da organização, pessoal da pesada.

Hoje fica difícil passar a ideia do que isso significava, ainda mais tendo o Carlos Marighela no Comando. Assim também como o preço que se corria, e quase sempre se pagava, por tamanha ousadia.

Até aí nada de novo. Novo é a cobertura que a mídia, nacional e a estrangeira, deu a esse retorno, e por uma curiosa singularidade; apesar de decorridos 40 anos desde sua fuga do Brasil, e tendo a Ditadura acabado há quase 25 anos, ele se recusava a retornar.

Desconfiava que os tempos de terror e a longa noite prosseguiam, e que a Ditadura continuava viva. Leitura imediata; louco de carteirinha. Nada mais correto; aparentemente.

Ele imaginava, vamos supor, que “gato escaldado tem medo de água fria”. Ou recorrer, novamente, à sabedoria da resistência; “nenhuma desatenção, por mais insignificante que pareça, é impune”. Os anos de clandestinidade devem lhe ter multiplicado essa dura verdade.

Seus companheiros de luta que sobreviveram, e que foram poucos, entre os quais deve haver malucos, podem recorrer ao militar japonês que mantivera-se escondido numa caverna, pelas mesmas razões, acreditando não ter acabado a Segunda Grande Guerra.

Como um ex-marinheiro, depois da abominável covardia humana que é a tortura, da qual ele foi vítima exponencial, consegue escapar do trucidamento, vai para a Suécia, em l969, casa, tem filhos, constitui família e 40 anos depois continua vivendo sob o terror da perseguição?

É preciso adicionar mais uma bizarrice; mesmo na Suécia, da qual não temos informação recente ou remota de nenhuma ditadura militar, ele continuou na clandestinidade.

Terror tão cruel que mesmo tendo sido golpeado, e lá se vão tantas décadas, pela covardia da tortura, ela continua dobrando sua alma, sua espinha, toldando seus sentimentos mais simples.

Não vamos nem mencionar Frei Tito, aquele sacerdote que conduziu em sua alma, enquanto pode viver, a memória perversa das torturas hediondas, nunca apagadas, do Delegado Freury. (amanhã prossegue o texto final da história de Tigre).

 

 

 

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