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Casagrande e Baby

Causou perplexidade o fim do que prometia ser uma grande paixão: o encontro entre Casagrande, o ex-grande jogador, e Baby do Brasil, a ex-menina rebelde que insiste em cantar.

A hipocrisia é o tributo que o vício presta à virtude, já nos ensinou La Rochefoucauld, se minha memória não está atropelando o grande pensador.

De início recusaram a hipocrisia e foram direto ao ponto: no começo não haveria sexo.

Vamos supor, sábia opção.

Ela por convicção religiosa, já que sua pastora, precavidamente, desaconselhou.

Ele, pelo óbvio. Para quem gosta de pó, o sexo está longe de ser prioridade.

Os dois, portanto, vamos imaginar, dependentes químicos. Um, da alma, o outro, do corpo.

Casamento que começa com sexo, mergulhado nas ilusões da carne, nas tentações do pecado, incendiado pela sandice dos desejos, não demora se desencanta, desidrata – exceto se houver traição.

Claro, o adultério é afrodisíaco.

Cessada a ilusão passageira, começa a construção de um projeto de vida, com família, bens, patrimônio, viagens, vida social, filhos, netos, mas sexo de verdade, melhor fora da alcova do lar recatado.

O casamento termina por monótono, pela repetição exaustivo do cotidiano, banalização do mistério, e nenhuma sucessão de viagens, festas, almoços, joias, consumo, glamour o livra do desencanto.

Só salva o casamento, seu vigor, sua libido, o adultério, que tem a virtude de reacender os desejos hibernados, ao saber, sofridamente, de seu compartilhamento.

É tão forte essa descoberta, que não raro termina em tragédia.

O projeto, dos dois, era lindo e inovador.

À medida que se consolidassem os afetos, as ternuras, as cumplicidades, aí, poderiam, talvez irem para a cama, teste de fogo, vestibular de medicina, onde não poucas grandes expectativas e paixões naufragam.

Baby e Casagrande tentaram. Perderam.

Não quer dizer que o projeto tenha sido derrotado.

As grandes descobertas, as grandes experiências inovadoras, que mudaram a caminhada humana, nunca acontecem de afogadilho, à socapa.

Leva tempo, leva anos.

Um cínico já disse: todo casamento, deflagrado sob o incêndio da paixão, tem o mesmo destino de uma Coca-família; gás até a metade da garrafa.

Casamento é o espaço do amor, é tijolo para construção da família, que nada tem a ver com desejo, libido, paixão, licenciosidade desvairada, fantasias despudoradas.

A paixão é incompatível com a institucionalização. A paixão há que ser transgressora, clandestina, de preferência proibida.

Casagrande e Baby perderam, mas a história os absolverá.

Fidel e a revolução cubana viveram, no século passado, o mesmo desafio, mas terminaram prevalecendo.

 

 

 

 

Um pensamento em “Baby e Casagrande: o casal que disse NÃO à hipocrisia

  1. Os dois se conheciam e sabiam que eram “doidões”. O termo entre aspas, sempre usado por quem não é doidão. Ou se acha normal. kkkk

    Tem uma coisa que impressiona. Tem gente que acredita que um velho com cara de vampiro tem o amor de bela$, recatadas e dólar.

    Complementando, FORA TEMER!

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