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IlanaCaminhando minhas dores e eventuais alegrias pelas ruas do meu bairro, não tive como apagar o que diziam os filósofos antes de Cristo. 

Fase, imagino, em que se refletiu melhor sobre a condição humana, principalmente na Grécia.

Havia certo reconhecimento, junto a algumas escolas, que envelhecer não era assim tão dramático e temido conforme hoje acontece. Nem tão ridículo, como não raro, se vê hoje.

Se vejo alguém pisando com dificuldade, principalmente um casal, decreto: estão juntos há muitos anos, e aposentados. E nada mais envelhece que a ociosidade.

Casamento longo, também, mas aí vamos pisar em terreno minado. Passemos a outro quesito.

Na obra de autores antigos, até recentemente, século 19, José de Alencar, Tolstoi, Eça de Queirós, por exemplo, uma pessoa se tornava um Senhor, ao ultrapassar a casa dos 35 anos.

Também se morria bem cedo. As mulheres, ah, sim, as mulheres, casavam bem mais jovens, a partir dos 13, 14 anos, ou até antes.

Aos 21 anos, não tendo isso acontecido, o povo, em sua imensa generosidade, dizia que dera o 3º pulo da macaca. A partir daí o casamento era uma loteria de fim de ano.

Se é que algum dia casamento foi prêmio para alguém.

Nos idos da juventude, duas falácias nos são impostas: trabalhe, comece cedo para que possa se aposentar e desfrutar melhor a vida; a outra, não deixe de casar para não ter uma velhice solitária.

Nada mais enganoso.  Mas isso também é um terreno delicado. Mudemos para outro ponto.

Ao envelhecer, a memória dos números começa a derreter, e, de resto, rostos, nomes, currículos, de muita gente querida.

Aliás, nada mais grave que uma mulher que amamos no passado, num reencontro décadas após, ter olvidado, sim, olvidado, seu nome, e, não menos, até mesmo a troca amorosa, se é que as houve.

Filhos, sim, acho que os tive, não perdoam essas vaciladas.

Bom, filho, praticamente não perdoa nada, exceto quando morremos.

Aí, sim, viramos legenda, citações constantes de pensamentos, frases, reflexões e sabedoria que nunca tivemos.

Bem, passemos à frente, posto ser esse também terreno espinhoso.

E, no entanto, o que mais nos humilha, são as filas de banco. Primeiro, não andam, na verdade, punem.

Há ainda, a chamada, da funcionária da empresa aérea que menciona os vips, as mulheres grávidas, os de necessidades especiais, e, aos gritos, a 3ª idade, eufemismo rasteiro de velho.

Ela o olha de viés, insistindo no olhar, quase com desprezo. O pior é a falsa piedade que fica exibindo, entre uma sacolejada e outra de seus quadris.

Quase sempre generosos.

Velho, não raro, é mouco e, não menos, míope, quase cego.

A mim, sou tomado do desejo desastrado de sair dando dois, três saltos, talvez até um triplo carpado, e diante dos olhos verdes da funcionária, perplexa, dizer, manera, manera, minha gatinha!…

Bom, paremos por aqui, porque hoje é sábado!

foto – ilana lansky

 

 

 

 

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