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Pois é… leiam esta mentira, esta aberração que vem sendo martelada há muito tempo, patrocinada por forças poderosas, envolvendo inclusive ONGs que não admitem uma experiência como a que está sendo vivida pelo povo Waimiri/Atroari.

Segue um texto, depois deste “Morar em Roraima”,  publicado no Globo, insuspeito, por óbvio, lá atrás, em 31/03/2013, assinado por mim, onde tentei contar a narrativa perversa vivida por esse povo, e que hoje é um exemplo soberbo da possibilidade de convivência pacífica entre povos primitivos e as chamadas frentes agrícolas.

xxx 

MORAR EM RORAIMA – LEIA MESMO !!! PASME !!!!

Segue abaixo o relato de uma pessoa que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.

As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.

Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.

Para começar, o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense. Pra falar a verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense,piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto, falta uma identidade com a terra.

Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, (e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro) ou a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo.

Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.

Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena (Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios(com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados…

Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena,diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.

Outro detalhe: americanos entram à hora que quiserem. Se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português.

Dizem que é comum naentrada de algumas reservas encontrarem- se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo*nerd*com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasme, se você quiser montar uma empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí, camu-camu etc., medicinais ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar ‘*royalties*’ para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia…

Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: *Os americanos vão acabar tomando a Amazônia. *E em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes.. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próxima de Mucajaí:

– Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam.

Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa’*.

A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivo de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela.

Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático). Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.

Pergunto inocentemente às pessoas:porque os americanos querem tanto proteger os índios?A resposta é

absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animal e vegetal, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro – encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.

Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.

É, pessoal… saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho.

Será que podemos fazer alguma coisa???

Acho que sim.

Repasse esse e-mail para que um maior número de brasileiros fique sabendo desses absurdos.

*Mara Silvia Alexandre Costa

Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.Patog. FMRP – USP

Gostaria que você que recebeu este e-mail, o repasse para o maior número possível de pessoas. Do meu ponto de vista seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos telejornais antes que isso venha a acontecer.*

55  Comentários

Jose Carlos Gomes Bailão  – Amigo Edilson Martins tem conhecimento desse relato? Suspeito, meio conspiratório e com afirmações tão graves que gera muita duvida e ceticismo.

Ah, e a fonte é uma biologa da USP !!!! Abraço. 

VIVER COMO WAIMIRI/ATROARI – texto edilson martins – O GLOBO – 31/02/2013

Já à Descoberta,  o Brasil se depara, num cálculo modesto, com uma população de pelo menos 5 milhões de populações primitivas.

Portugal não contava sequer com a metade dessa população.

Hoje esses povos estão reduzidos, ninguém sabe com precisão, a, no máximo, 800 mil índios.

Cláudio Villas Boas já alertava que “temos eliminado mais de um milhão de índios por século.”

A convivência com essas culturas, que nunca foi pacífica, até hoje é um desafio.

O celebrado Parque Nacional do Xingu, onde convivi com os Villas Boas e Apoena Meirelles por mais de 25 anos, não correspondeu ao que se imaginava.

Foi uma vitrine de uma política indigenista enganosa, já que no resto do país essas culturas continuam abandonadas, com seus territórios invadidos, penalizados por doenças, conflitos armados, e a cobiça das chamadas fronteiras agrícolas.

E, no entanto, surgiu uma luz.

A experiência dos índios Waimiri/Atroari, na divisa entre o Amazonas e Roraima, região estratégica à soberania brasileira, precisa ser conhecida, não como modelo para o resto do país, senão como testemunho de uma experiência que desde os anos 80 do século passado está dando certo.

São 41 aldeias, que resistiram por mais de 130 anos, à integração com a sociedade abrangente.

Entre os anos 70/80 sofreram golpes dolorosos dos governos militares,  ao reagirem à invasão de seu território por onde passaria a construção da BR-174, ligando Manaus ao Caribe.

Os índios contam que tiveram aldeias bombardeadas pelo Exército, e sua população reduzida a um pouco mais de 1/5, eles que somavam não menos que 2 mil pessoas.

Atualmente oferecem uma experiência única, bem sucedida,  na convivência com o chamado mundo civilizado.

Com 2 milhões de hectares, seu território não sofre  desmatamento,  fauna praticamente intocada, se alfabetizam em sua própria língua, eliminaram o uso de armas de fogo, e são intransigentes  na defesa do meio ambiente.

Graças a eles a represa da hidrelétrica de Balbina, o maior desastre ecológico acontecido na Amazônia durante os Governos militares, está sendo revitalizada.

Como a estrada federal – BR-174 – corta em  125 km o seu território, a reserva vinha sofrendo a ação criminosa de caçadores,  derrubada de árvores, e pescadores.   Aproveitavam-se da circulação de veículos à noite, para executar essas práticas.

Hoje interditam, entre 18hs e 6hs da manhã, a passagem de veículos,

Permitindo a circulação de ônibus e viaturas transportando enfermos. À frente de todo esse processo emerge a figura de um ex-coordenador da Funai, José Porfírio de Carvalho, sertanista, que convive com eles desde os anos 70, tempo em que quase foram exterminados.

Juntamente com Gilberto Pinto, lendário defensor do povo Waimiri/Atroari, e outros sertanistas, se colocaram, corajosamente, em defesa dessa nação.

Odiado por fazendeiros, por políticos e pelos que veem nos índios um impasse ao progresso, e pelos radicais “indigenistas” que não perdoam a interdição de proselitismos religiosos, de qualquer natureza, no interior da reserva, Porfírio de Carvalho é um aliado histórico desses povos.

O país tem uma dívida de gratidão com esse nordestino rude, nada sociável, inteligentíssimo, mas que comanda essa experiência única no Brasil: é possível haver a integração com os povos primitivos, desde que respeitemos suas escolhas, não queiramos impor a eles nossos valores, nossa cultura vitoriosa, nossa visão de mundo.

A presença de agentes brancos na reserva é criteriosa, não há cães, não se abate a fauna nativa, criam galinhas, patos, gansos, porco do mato, tartarugas, ovelhas, e como já foi dito, não usam armas de fogo.

São alternativas para não ameaçar mais a fauna da reserva.

Contam com 21 escolas, com 60 professores indígenas, e já estão alfabetizados 65% da população.

Na saúde, nos últimos 15 anos, nenhuma doença imunoprevenível se fez presente. Os índios oferecem uma população invejável, em termos de saúde e alimentação, para quem conhece suas aldeias.

Porfírio de Carvalho coordena projeto semelhante junto aos índios Paracanã, na  área de influencia da barragem de Tucuruí, no Pará, povo com outras características, bem diferentes, naturalmente.

As culturas indígenas não são iguais, como muitos imaginam.

Essas duas experiências, patrocinada pelo Eletronorte, cujas hidrelétricas, com suas barragens, invadiram o território desses povos,  são experimentos únicos, e que estão dando certo.

E como tal, não são poucos os que demonizam esses índios, e principalmente Porfírio de Carvalho.

O movimento indigenista brasileiro, num país edificado a partir do extermínio ou subjugação dessas culturas, conta com alguns ícones.

Rondon, irmãos Villas Boas, Gilberto Pinto, os Meireles, pai e filho, e tantos outros, pessoas que dedicaram suas vidas à defesa intransigente dessas culturas.

Porfírio de Carvalho, ex-coordenador da Funai, em verdade sertanista que dedicou e dedica, até hoje, sua vida à luta pela sobrevivência dessas nações, é um deles.

O país precisa conhecer, principalmente àqueles que anonimamente, buscam saídas, soluções, a uma questão histórica que, em 500 anos de civilização, ainda não tivemos respostas: a convivência respeitosa com povos que aqui já existiam antes mesmo da chegada da chamada cultura europeia.

 

 

 

 

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