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– José Gatti – Puxa vida, será o mesmo Edilson Martins que conheci nos anos 1970, quando eu trabalhava na Brasiliense? O autor do genial Makaloba? Que escrevia sobre Casaldáliga? Ironizar uns poucos manifestantes contra Moro, neste momento, é assumir uma posição golpista, na defesa de um moço teleguiado por CIA e FBI (você leu os documentos do Wikileaks?), contra a letra da lei brasileira (que demoveu uma presidente sem qualquer indício de crime cometido), é marcar posição contra interesses nacionais e populares. Sim: “Moro IS biased”. 

Com certa regularidade, internautas, em razão de algumas postagens críticas, indagam se o titular deste blog é o jornalista e escritor Edilson Martins, autor de “Nossos Índios, Nossos Mortos(25 edições)”, “Makaloba(5 edições)”,  “Nós do Araguaia(6 edições)”, “Amazônia, a Última Fronteira”(5 edições), “Páginas Verdes”, “Chico Mendes – Um Povo da Floresta”, e alguns outros cometidos nas últimas décadas do século passado e na primeira deste.

No caso agora é o internauta José Gatti, escritor, que recorda esses livros, até porque ele teria trabalhado na Brasiliense, SP, do Caio Prado Junior, de grata memória, e quem editou “Makaloba”.

Carregado de dor, estimado José Gatti, devo dizer que esse autor faleceu, e dele herdei apenas o nome. Assisti às suas confissões derradeiras. Ele, como D. Marisa Letícia, morreu de tristeza, e sua morte foi chorada por alguns amigos.

Tristeza, disse ele, com o naufrágio dos sonhos perseguidos na criação do PT, que ajudou a implementar;  e não menos uma profunda decepção com o ex-retirante, Lula da Silva, que o criou.

Tanto Lula, emitiu ele, já com voz sofrida, como o partido, foram seduzidos pelos encantos da corrupção, pelas alianças com empresários criminosos, e mergulharam em malfeitorias que eram praxe até então da burguesia venal e dominante.

Uma a uma as lideranças sindicais e os grandes quadros do partido foram se lambuzando no que este país tem de pior, onde os fundos de pensão um dia vão estarrecer o país.

Enriquecimento ilícito, demagogia, propinas, populismo, modelo de gerência defasado, lero-lero de nova matriz econômica, novos conteúdos nacionais, mascarando e maquiando números das contas públicas.

Veiculou a balela de uma economia programada, com o gasto bordão de “educação e saúde” das chamadas experiências socialistas, produziu mentiras, favoreceu os empresários amigos, arrotou nacionalismo, e terminou transformando empresas e bancos do estado em valhacouto de pilantras e achacadores.

Foi mais longe, produziu novos paradigmas; estabeleceu conexões internacionais de propinas, alavancadas com os recursos do povo brasileiro.

E, se mais não fosse, escolheu uma Senhora com déficit de serenidade e equilíbrio, na fronteira da sandice, quando havia, certamente, não só no PT, como mesmo fora dele, pessoas mais preparadas.

Nenhuma ideologia, disse o falecido autor, em seus últimos espasmos, “vai me obrigar a absolver corruptos, demagogos, e um populismo estreito, que padece de legitimidade, em nome da unidade partidária, em nome da revolução, em nome dos excluídos.”

Mesmo com a lorota de Governo popular, de socialismo do século 21.

Ah, sim.

Antes de falecer, escreveu “Bediai – O Selvagem e o Voo das Borboletas Negras” editado pela TopBooks, do Rio de Janeiro. Um relato otiginal da colisão das frentes agrícolas com o que restou de povos primitivos entre nós, no começo dos anos 70. 

Anos 70, a década da destruição.

Um livro impertinente, mas gracioso, conforme o falecido autor imaginou ter vivido.

Ele tinha muito orgulho deste livro. Mesmo tendo se transformado em golpista, inimigo do povo brasileiro, o livro tem sido muito bem recebido, inclusive pela esquerda.

O que não é o caso da direita, se é que tais classificações ainda sobrevivem.

Perdão, caríssimo José Gatti, por tamanha decepção, já que privei muito do seu convívio e nada pude fazer em sentido contrário. 

 

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