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(…) Querem proibir que “O Teu Cabelo Não Nega”, grande marchinha de 1932, seja tocada no Carnaval deste ano. Acham ofensiva a estrofe “O teu cabelo não nega, mulata/ Porque és mulata na cor/ Mas como a cor não pega, mulata/ Mulata, eu quero o teu amor”. Mas o que dizer da genial estrofe seguinte? “Quem te inventou, meu pancadão/ Teve uma consagração/ A Lua, te invejando, fez careta/ Porque, mulata, tu não és deste planeta”. Não é uma apaixonada declaração?

Os velhos Carnavais viviam dessa glorificação dos tipos nacionais: “Linda morena, morena/ Morena que me faz penar/ A Lua cheia que tanto brilha/ Não brilha tanto quanto o teu olhar” (1932); “Lourinha, lourinha/ Dos olhos claros de cristal/ Desta vez, em vez da moreninha/ Serás rainha do meu Carnaval” (1933); “Salve a mulata / Cor do café, a nossa grande produção” (1939). Há décadas o país canta com amor essas marchinhas e nunca se viu uma morena, loura ou mulata se ofender.

(…)Enxergar ofensa nas marchinhas é caso para terapia de grupo —com o ofendido no divã e um grupo de psiquiatras em volta.

Ruy Castro – Folha de SP

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