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Sim, os 100 anos da publicação de “A Metamorfose” não podem passar em silêncio, num autor que dissecou a tragédia humana, de tal forma curiosa, que sua obra pode ser lida pelo viés psicanalítico, religioso, político, e tantas outras medidas, até porque não faltam os que o qualificam como profeta.

O poeta W.H. Auden o qualifica como o “Dante do século XX”, o que não é pouca coisa, convenhamos.  Vladimir Nabokov garante que Thomas Mann, Rilke, diante de Kafka, são anões, diante dele.

Gabriel Garcia Márquez, “Cem Anos de Solidão”, o cara do realismo fantástico, confessa que a partir da leitura de A Metamorfose compreendeu que “era possível escrever de uma forma diferente”, como de fato o fez.

Jorge Luís Borges bebe nele, e não nega, e, não poucas de suas novelas fantásticas, quase indecifráveis, também não terminam, ficam sem nada concluir, e nisso Kafka foi mestre e pioneiro.

Curioso, é que esse rapaz, nascido em Praga, dividido entre duas línguas, embora tenha escrito em alemão, judeu, que viveu sob a rigidez burocrática do Império Austro-húngaro, era, podem crer, um torturado pelo desejo.

E mais, bem diferente, permitam, pelo amor de Deus, a comparação, de Fernando Pessoa,  por sinal contemporâneo. Diferente no sentido de uma vida sexual ativa, assumida.

Hoje poderíamos chamar Franz Kafka de “mulherengo”, arrebatado por saias, temendo o fracasso sexual da mesma forma que o diabo teme a cruz.

Podemos imaginar Franz Kafka, comedido, simples, moderado, literariamente, lendo as primeiras páginas de A Metamorfose, em 1911, 12, vamos supor, e receber em troca, gargalhadas de seus amigos. Vamos supor, não, aconteceu exatamente assim.

É uma novela terrível, uma vez que a personagem, Gregor Samsa, um caixeiro-viajante, dorme mal, e acorda metamorfoseado em inseto.

Quem sabe, a razão íntima – uma ilação irresponsável minha, sem sentido, idiota – diante de tal reação, antes de morrer, ter pedido ao maior amigo, Max Brod, à beira da morte, que queimasse toda a sua obra, ainda não publicada.

Já que a publicada é impossível.

Noves fora, não podemos deixar passar este centenário em silêncio.

Revisitando – 16/01/2016

 

 

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