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foto- edilson martins

Sim, as águas de março chegaram, cidades sob a tragédia das enchentes, aqui no Sul/Sudeste, e não se fala mais em crise hídrica, reservatórios abaixo do volume morto, crise de abastecimento.

Chuvas bombando.

Fomos salvos, mais uma vez, pelos rios voadores procedentes da Amazônia.

Nos últimos 40 anos, um nada em termos geológicos, foram postos a baixo 40 bilhões de árvores na região. Cada árvore derrubada, e quase sempre queimada, torrada, virando cinzas, é uma porrada no fígado das mudanças climáticas.

As árvores amazônicas antigas produzem mil litros de água por dia. O ar úmido é também “exportado” para áreas como o Sudeste, já que têm vocação para deserto.

Quem o diz, não dessa forma, claro, posto se tratar de um cientista, é Antônio Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, uma das maiores autoridades mundiais em questões climáticas da Amazônia.

É um privilégio ouvir Antônio Nobre.

É justamente esse ar úmido, essa umidade, da região amazônica, depois de percorrer 3,4 mil km, costeando a Cordilheira dos Andes e descendo para o Sudeste, Centro-Oeste e Sul que chamamos de rios voadores.

As moças do tempo, nos telejornais, nos mostram com mapas e computação gráfica. Fica bem melhor.

Só de corte raso, nos últimos 40 anos, na Amazônia, foram três Estados de São Paulo, duas Alemanhas ou dois Japões. São 184 milhões de campos de futebol, quase um campo por brasileiro.

A velocidade do desmatamento, em 40 anos, é de um trator com uma lâmina de três metros se deslocando a 726 km/hora – uma espécie de trator do fim do mundo.

A área que foi destruída corresponde a uma estrada de 2 km de largura, da Terra até a Lua. E não estamos falando de degradação florestal, que acontece naturalmente.

O Governo petista, com exceção de Marina pelo Ministério do Meio Ambiente, que por sinal caiu por imposição da atual presidente Dilma, nunca se debruçou sobre esses dados, essa realidade.

Dilma nunca admitiu qualquer ressalva à intocabilidade do agronegócio na Amazônia.

Nos anos 70 foram o gado, as rodovias não planejadas, as agrovilas, os megaprojetos, a mineração.

Agora é a soja, que não convive com nenhuma forma de vida no subsolo. 

Tudo o mais são marquetagem, guerrilhas políticas, gastança de latim à-toa, rotas de fuga para não encarar o touro pelos chifres.

Em termos de retórica, nós latinos, somos imbatíveis.

Não demora, vamos pagar caro essa omissão criminosa.

 

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