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Choremos por nós, pela redução de nossas conquistas, pela derrota de Hillary Clinton, pelo “golpe” contra a presidente Dilma, pelas dificuldades na aprovação de um teto para a gastança do Governo.

Choremos pelas férias que não teremos em NY, nem em Paris, sendo nós todos, ou quase todos, obrigados a vivê-las nas praias e resorts do litoral brasileiro ou de nossas nada sofisticadas regiões serranas.

Choremos pelo carro do ano que não podemos renovar, pelas grifes que tivemos que abdicar.

Pelo derretimento da avaliação de Temer e seu grupo, pela perseguição cruel ao ex-presidente Lula, onde tudo se faz para que não possa mais devolver aos excluídos os tempos de bonança e consumo que viveram recentemente.

Não, não choremos pelas crianças de Aleppo, estraçalhadas, assassinadas, a frio, feridas, enlouquecidas pelo barulho das bombas, matando seus pais, seus amiguinhos, todo o seu mundo, quando não elas próprias.

Choremos, aliás, celebremos, o silencio do Governo brasileiro, que em cinco anos de carnificina, cortando o coração do mundo, num genocídio cruel que nada perdoa, com  as imagens mais cruéis de crianças fugindo, em tempo real, seus pais matando suas irmãs moças, evitando assim o estupro pelas tropas invasoras, permanece no mais profundo e respeitoso silêncio.

Brasil, o povo mais feliz do mundo: Brasil, país solidário, país do Carnaval que encanta, país penta campeão do mundo.

Crianças feridas, sangrando, fugindo, mutiladas, assassinadas pelo ar ou afogadas nas águas do Mediterrâneo, conduzindo nos olhos toda a dor do mundo, buscando o infinito, parecendo nada entender, já que adultos também não estamos entendendo, também, mais nada.

Choremos pelos riscos que as forças russas, iranianas, americanas, sujeitos perversos dessa carnificina, em busca de poder, em nome da geopolítica, estão sofrendo na guerra da Síria.

Rezemos pelos líderes, pelos senhores da Guerra, os estadistas, os Senhores do massacre, do holocausto do século 21.

Choremos por nós, a mais sofisticada espécie do planeta, dotada de reflexão, dúvida, conhecimento, praticante das mais pias religiões, que celebra a caridade, o amor pelo próximo, e nem por isso deixa de ser a mais estúpida, a mais cruel, a mais perversa que até hoje o mundo conheceu.

Não choremos pelas crianças de Aleppo, por todas as razões do mundo.

Estão distantes, praticamente não as conhecemos, falam outra língua, praticam outras religiões, e se mais não fosse, são árabes, persas, curdas, estranhas, portanto, não são as nossas crianças.

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