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Nos idos de 1987/88, doces anos, as praias da Zona Sul do Rio, Copa liderando, foram inundadas por 15 mil latas recheadas de maconha, da boa, lançadas ao mar pelo navio australiano Solana Star.

Por temer um fragrante, foram jogadas, na altura de Cabo Frio, 22 toneladas, nas bravas águas onde séculos antes aportara Américo Vespúcio, o cara que nominou o Continente.

Não demorô, as correntes cúmplices fizeram o resto, com as preciosas latas fundeando nas praias cariocas. 

Foi, há consenso, o Verão mais mágico, mais colorido, mais “tudo em cima, mermão” de que se tem notícia na história humana, desde os nossos índios, seus primeiros ocupantes.

Naquele mágico e colorido Verão, 87/88, o Sol não agrediu, o calor foi suave, o final  das tardes, nas praias, aplaudido sem sofreguidão, sem histeria.

Os índices de violência recuaram, quase zeraram, em toda a orla marítima da cidade, que àquele tempo ainda era maravilhosa.

Os casais se olhavam nos olhos, os atritos emudeceram, e o que se viu, naqueles tempos idos e vividos, pelo menos para os que desfrutaram da alucinação serena das latas, foi uma estação costurada com as tintas do amor, ternura, das trocas fraternas.

Ah, doces tempos.

Agora teremos o Verão das Notas – de R$50, R$100, há as menores – invadindo a praia da Urca, se deslocando para a baía, e se apresentando em outros trechos da orla da maior cidade veraneio do mundo.

De onde vieram, como surgiram, por que foram lançadas ao mar, medo de flagrante, fugindo de quê?

Há um mês foram descobertas, num tempo de crise, desemprego, num ano em que dois governadores foram presos, uma presidente cassada, um líder popular derretido, partidos investigados, Cunha na cadeia, Dirceu morfando, e Palocci, o doce, quem diria, vendo também o Sol quadrado.

Será que tudo isso é um pesadelo, um sonho ruim, passageiro, efeito retroativo das latas do Verão de 87/88?

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