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Fidel Castro morreu agora, antes já tinha Guevara se despedido. Tiveram, lá atrás, suas vidas entrelaçadas, belamente.

Viveram e morreram não esculachados pela História que marca a vida de não poucos homens, enquanto sujeitos do processo.

Sob o ódio ou a paixão, impossível compreender essas duas figuras polêmicas do século 20.

Bem antes do Império americano ter sido humilhado pela resistência vietnamita, quando em 1975 teve suas tropas corridas, fugindo feito ladrão de galinha do Sudeste Asiático, pegando carona em aviões de transporte, Hércules por exemplo – esses dois caras  já haviam peitado, e não se curvado perante os EUA.

Uma republiqueta até então, gandaia de cassinos e mulheres, servil, corrompida, prostituida, peita os predadores do século 20, um dos dois grandes impérios que dividiam o Planeta, na Baía dos Porcos, e derrota mercenários patrocinados, armados, treinados pelo senhor dos mundos.

A partir de Cuba os EUA nunca mais seriam os mesmos.

Tiveram que produzir golpes praticamente em toda a América Latina, ao longo de quase 30 anos, inclusive no Brasil, valendo registro as intervenções no Chile, Argentina, e tantos outros países.

Cuba não poderia se multiplicar, sabia-o muito bem o Império.

Na vida prática, na construção de uma sociedade mais justa, sem a desigualdade reinante no mundo, sem a miséria deplorável e perversa, sem a humilhação e exploração dos países de periferia, criaram uma Cuba alfabetizada, um povo não humilhado pela drenagem da mais valia, uma educação invejável e uma saúde universal sem reproche.

E, no entanto, a liberdade, esse direito simples de ir e vir, de criticar, de se deslocar, de escolher sua sexualidade, fumar seu baseado, charuto podia, seu modelo de família, de questionar o poder, repudiá-lo, deixar o país, falar mal dos agentes do estado, pensar com independência, escrever sem medo e sem temores, tudo isso foi pelo ralo.

Tudo isso, essa “comezinhas” coisas, o rato comeu, conforme fazem todos os governos autoritários ou totalitários.

A esse viés, se é que é apenas viés – a liberdade nos parece o bem supremo de todas as espécies, inclusive da humana –  os apaixonados por Fidel e Guevara fecham os olhos.

Os que os odeiam, aprofundam.

Resultado da soma; a unanimidade é burra, e nada é uma linha reta, nem mesmo na física. E o sendo fica sem graça, autoritária, restrita, falsa.

Embora a reta seja a linha mais curta entre dois pontos, não é a mais interessante, falta-lhe a curva vadia, o retorno, os descaminhos.

Sem essa compreensão do que foram esses dois caras, é possível que caiamos na paixão, de um lado, ou de outro, mas como toda paixão, nos cegando.

 

 

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