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Indias do rio Jordão

 

Nossos Índios, Nossos Mortos

No Acre, até os anos 50, e mesmo depois, não se imaginava existirem índios, já que deles não se falavam na capital.

Capital deliciosa, de pouco mais de mil habitantes, pelo menos na cabeça dos adolescentes.

Desinformação: eram muitos, principalmente entre as bacias dos rios Purus, Envira e Juruá, na fronteira com o Peru.

Décadas depois,  me vi envolvido com a questão indígena,  via os Villas Boas, Apoena Meirelles, Darcy Ribeiro, Antônio Callado, Chico Meirelles, Carmen Junqueira, Maureen Bisilliat, Zé Bell, irmãos queridos.

Nunca mais os larguei, graças, claro, à minha profissão, embora, hoje, já não coma mais, com eles, quilos de sal.

Tudo isso para dizer, que ontem, anos 70, essa região mencionada, era fruto de “rondas” e “correrias”, patrocinadas pelos grandes proprietários da região, os seringalistas.

“Rondas”, era para localizá-los, no meio da selva, e “correrias” a etapa final, com o dia amanhecendo, onde jagunços, matadores profissionais, cercavam as aldeias, e “desobstruíam” a área, matando a ferro e fogo todos os seus ocupantes.

Eram áreas onde existiam o látex, o caucho, as madeiras de lei, os castanhais, os couros de animais abatidos.

Os índios  “embarreravam” toda essa comercialização.

A frente “civilizatória”, os agentes do “progresso”, não poupavam nada, ou quase nada, assassinando crianças, homens, velhos, adolescentes, tudo.

Eventualmente poupavam algumas jovens para levar como escravas e objeto sexual.

Esses testemunhos, os obtive nos anos 80, 70, do que sobrou dos próprios índios e nordestinos sobreviventes.

Na ocasião escrevi o livro “Nossos Índios Nossos Mortos”, 25 edições, uma única de 50 mil exemplares, Círculo do Livro, da Editora Abril,  que faz essas narrativas.

E, no entanto, sobreviveram.

E somam cerca de 14 etnias, nações, povos dotados de uma singular e curiosa riqueza, em sua organização social.

Estas mulheres, belas, – as fotos seriam de Talita Oliveira? – aí estão, vivas, airosas, vaidosas, desfilando seus encantos, sua resistência.

Resistência a um processo civilizatório que não perdoa nada,  nenhuma forma de vida original, que tem pressa em tudo dominar.

 

 

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